Espelhos do Passado: Por que Escolhemos Quem Escolhemos?
Espelhos do Passado: Por que Escolhemos Quem Escolhemos?
Introdução
Já conversamos sobre o desejo intenso da infância e sobre a importância vital dos limites. Agora, chegamos a um ponto que toca a ferida de muita gente: a vida amorosa. Como tudo o que vimos até agora desenha o mapa dos nossos afetos na vida adulta?
Você já teve a sensação de ter "dedo podre"? Ou a impressão de estar vivendo sempre a mesma história, mudando apenas o rosto e o nome do parceiro? Isso não é azar, nem destino cruel. Isso é estrutura psíquica e repetição. Vamos entender o porquê.
A Repetição e a Busca pelo Familiar
Existe um conceito fundamental na psicanálise chamado "compulsão à repetição". O ser humano tem uma tendência inconsciente de buscar no outro traços que lhe são familiares; mesmo que esses traços tenham trazido dor no passado.
Não buscamos necessariamente o que é bom para nós, mas sim o que já conhecemos. Tentamos reeditar o amor que recebemos, ou que nos faltou, na infância. A esperança secreta da nossa criança interior é que, desta vez, a história tenha um final feliz.
Muitas vezes, procuramos alguém que cuide de nós como a mãe cuidava. Ou alguém que nos imponha a lei e a ordem como o pai fazia. Ou, ainda, alguém que nos rejeite da mesma forma que fomos rejeitados, apenas para confirmar uma crença interna de desvalor que carregamos.
O Amor Maduro vs. O Amor Infantil
A escolha amorosa madura acontece quando conseguimos "limpar" os óculos com os quais enxergamos o mundo. É quando vemos o outro como ele realmente é, e não como uma tela em branco onde projetamos nossas necessidades antigas.
Reflita com total honestidade:
- Você busca um parceiro(a) para caminhar ao seu lado ou um salvador(a) para resolver seus problemas?
- Você tenta "consertar" seu companheiro(a) da mesma forma que tentou, em vão, mudar seus pais no passado?
- O que você chama de "química" é uma conexão real ou apenas a ansiedade de ser validado por alguém?
3 Cenários Comuns de Repetição
Para ilustrar como o passado se disfarça de presente, veja estes exemplos clássicos:
- A Síndrome da Enfermeira(o): Pessoas que sempre se apaixonam por parceiros "problemáticos", viciados ou que precisam de "salvação". Geralmente, estão repetindo o papel de quem precisou cuidar de pais frágeis ou deprimidos na infância;
- O Inacessível: Buscar sempre amores impossíveis, pessoas casadas ou distantes emocionalmente. É uma forma de reencenar a busca pelo amor de um pai ou mãe que nunca estava disponível, mantendo-se na posição de espera eterna;
- O Controlador: Unir-se a alguém que dita todas as regras e tolhe a liberdade. Inconscientemente, a pessoa busca a segurança dos limites rígidos que talvez tenham faltado na sua formação ou que lhe eram muito familiares.
FAQs (Perguntas Frequentes)
É possível quebrar esse padrão de repetição? Sim, é totalmente possível. O primeiro passo é a tomada de consciência. Perceber o padrão é começar a desmontá-lo. A análise é a ferramenta que nos ajuda a parar de atuar no "piloto automático".
Sempre vamos escolher alguém parecido com os pais? Há sempre um traço, pois eles são nossa referência primária de amor. Mas podemos escolher os traços positivos e ressignificar os negativos, criando algo novo e saudável, sem ficar refém do modelo original.
Por que a paixão avassaladora acaba? A paixão idealizada, aquela do príncipe ou da princesa, acaba quando a realidade do outro aparece com seus defeitos. O amor verdadeiro começa exatamente aí: na aceitação da imperfeição humana do outro.
Conclusão
Nossas escolhas amorosas são bússolas precisas que apontam para o nosso interior. Ao compreender o que buscamos obsessivamente no outro, descobrimos o que ainda precisa ser curado dentro de nós.
O amor verdadeiro não vem para completar, pois não somos metades. Ele vem para transbordar. Quando entendemos isso, deixamos de buscar nos outros a cura para nossas feridas infantis.
Para amar bem, é preciso ser inteiro e dono da própria história. Leia o grande final desta série no próximo artigo: "Cortando o Cordão: A Jornada da Independência Emocional". Clique Aqui!
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Referências Bibliográficas:
- FREUD, Sigmund. Além do Princípio do Prazer (1920);
- HENDRIX, Harville. O Casal Esteio: A Nova Psicologia do Amor;
- JUNG, Carl G. O Matrimônio como Relacionamento Psicológico.

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